
Você tinha cheiro de chuva,
E ares de cerejeira florida,
De viagem em porta retrato,
De canção não esquecida.
Tinha um verso nos cabelos,
Que o vento recitava,
O mistério verdadeiro,
Das manhas, das madrugadas,
E o orvalho seresteiro,
Que deixa a boca esparramada.
Tinha um jeito diferente,
De ficar, permanecer,
Meio assim, quase insolente,
De toda alma enternecer.
Arcos íris lhe tinham os olhos,
Quando a vida contemplava,
Você tinha cheiro de chuva,
De primavera anunciada,
Tinha jeito de folha caduca,
Certo quê de pieguice,
De modernice,
De invenção.
Que não sei, eu me esqueci.
E hoje, quando me olho,
Virgem Santa... Mas quanta,
Quantas saudades de ti...
Escrito por Analycorrea às 07h42
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