Nos últimos anos, este meu Ancoradouro tornou-se o cais de um grande amor, amor que semeei e que nutri, mas que em verdade nunca passou de uma fantasia, uma doce utopia de um saudoso olhar há demorar-se no meu, há brincar de me sorrir, de me florir, de me ascender. Embora, fantasia ou brincadeira, foi real pra mim, que o pensava infinito, e talvez ele o seja mesmo, infinito, o amor sempre é, não importa a sua vestimenta, o amor, tem o poder de nos tornar melhores, e intensa como sou, não me dedicaria a menos; finito então, só o meu antigo desejo de alimentá-lo, de trazê-lo à superfície, de gritá-lo, de compartilhá-lo, de anunciá-lo à louca rosa dos ventos, motivada talvez, por esta cumplicidade latente, que não permanecerá, como eu também, não permanecerei. Por que se amor, como eu acredito, ele não causaria danos e nem feridas, e nem me roubaria os arco-íris, ao contrario, muito ao contrário, ele as curaria, os resplandeceria, como um rio caudaloso, que nunca serena até sua mais completa entrega ao mar.
Por isso, hoje, quando me olho, quando te olho, questiono-me: Como pude, por tanto tempo, amar tão verdadeiramente, alguém que simplesmente, nunca existiu.