" Coração de Pano..."
Perguntaram-me hoje, entre muitos e muito mimos, qual fora o melhor presente que eu já ganhara, e eu já ganhei muitas coisas, muitas mesmo, são muitos os gesto de afeto, mas entre todos, acredito que um marcou-me para sempre, aconteceu há cerca de dez anos, na época eu estagiava nas escolas próximas daqui, e que atendiam crinças carentes, carentes e maravilhosas, o estágio foi breve, e eu segui com a minha vida, é o que fazemos...Mas havia uma garotinha, Elaine, pela qual o meu carinho dedicava-se de maneira especial, com o término do estagio, pouco a encontrei, porém, para minha feliz surpresa, no dia em que completei 23 anos ela reapareceu, meio encabulada, totalmente risonha, ela possuia um sorriso capaz de iluminar todos dias, confesso-lhes, que só o fato dela recordar-se, já me enterneceu a alma de maneira abundante, mas a forma que ela arrumou para presentear-me, esta marcou para sempre, comprimentamo-nos, a mãe estava com ela, trazia ela numa sacola uma uma pequena boneca de pano, toda colorida, quase uma Emília, percebia-se que não era uma boneca nova, embora me pareceu que era muito amada, e de posse daquele sorriso encantador o que ela fez me emociona até hoje.
Explicou-me ela, em poucas palavras, que quisera e muito comprar-me um presente, até pedira a mãe, insistira mesmo, mas eu sabia de antemão que não possuiam condições financeiras, não satisfeita, pediu a mãe que a trouxesse, sabe, ela tinha e tem, aquilo tipo de espirito que não se permite convencer, mas que convence, trouxe-me ela então, sua melhor boneca, a qual eu tentei de todo jeito que levasse de volta, mas ela, magoada, recusou-se, recusou-se, recusou-se, diante disso, aceitei-a, e como eu não poderia, abracei-a e agradeci, confesso-lhes que chorei, ainda choro quando me recordo, pois eu sabia, por conhecê-la, o quanto lhe significava aquela boneca, boneca esta, que hoje eu exibo orgulhosa num canto lá de minha estante, pois naquele dia, aquela garotinha sem saber, me mudou profundamente, pois nunca, nunca mesmo, ninguém me ofertara tanto. E como diria Joann Davis : "As melhores coisas da vida não são coisas!"
Escrito por Analycorrea às 22h23
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"Vaga-lumes”
Ontem mesmo ela sorria, debruçada em sua janela, Ouvindo o sol despedir-se em sussurros, ainda ontem, Ela se encantava com o acendedor de lampiões, E as ruas tantas que ele iluminava, Expondo as muitas solidões e seus tão tristes lampejos. Ainda ontem, encantava-se ela,
Com os garotos e suas calças suspensórios, Com a boêmia dos bares, e o choro dos violões, Os beijos melindrosos furtados no portão, E com a alegria esfuziantes das Marias-sem-vergonha, Que saltavam dos vasos colorindo tudo. Ainda ontem,
Aquecia-lhe o sopro da velha locomotiva, E as suas idas e vindas, e as suas tantas paradas, O maquinista acenando-lhe,
Deixando-a reconfortada. Encantava-se ela, com o afeto das mariposas, Aos lampiões indiferentes,
E o contraste de toda aquela gente, As quais sem conhecer, ela tanto e tanto gostava, As roupas engomadas e os vestidos de chita, Aquela pressa disfarçada dos beijos de despedida. Debruçada em sua janela, ela se encantava, Desejando que fossem asas os braços que carregava, Para assim, ir além das aquarelas,
E das terras tão singelas, que em sua mente criava. Ainda ontem ela sonhava,
Com um vento que lhe seria propício, Que lhe seria o inicio, de suas tantas jornadas, As estrelas como bússolas suspensas, E a lua, como dama emoldurada, Testemunhas oculares,
Daquelas emoções inventadas. E hoje ela se pergunta, imensamente angustiada, Que foi feito do seu encanto,
E de sua alma enfeitiçada, Que foi feito da utopia, que ela tanto celebrava, Será que se perdera nas curvas,
Ou se fora com as enxurradas, Ou talvez, se mudara para a lua,
Para não ser incomodada. Mas ela... Ela não sabe, muito menos compreende, Como de repente, se tornara toda gente, E se questiona, se amarga, se pressiona, Como fora que de repente, Esquecera-se, assim, tão completamente, De como encantar os vaga-lumes...
Escrito por Analycorrea às 13h54
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Esta maré que vem,
E insiste em me levar,
Leva também o temor,
E esta necessidade de estar.
Sinto que já não importa,
Que não me importa coisa alguma,
Seja um rio em correnteza,
Seja uma linha na agulha.
Quero que tudo exploda,
Quero mesmo é explodir,
E em milhões de pedacinhos,
Ir-me derramando por ai.
Não estou pedindo muito,
Em verdade,
Eu já não peço nada,
Só desejo que bem rápido,
Possa eu tornar a estrada,
E com as cores dos caminhos,
Ir compondo pouco a pouco,
Este retrato velho,
Com ares de retrato moço,
Que a doce vida nos afere,
Se mergulhamos no novo...
Escrito por Analycorrea às 08h08
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