
“Deserto"
Se minhas lágrimas tivessem voz, O mundo todo estaria desperto, O mar, as dunas, o frio deserto. Não haveria mais noites, Nem sóis, e as estrelas se omitiriam, Quietas, no infinito denso. Se minhas lágrimas fizessem coro, Talvez enfim, compreendeste, Tudo que fui incapaz de expressar, O medo, o desespero, o pesar, E talvez houvesse outra vez, Em mim, o lampejo, No olhar, o firme desejo, Em se crer, em se ser,
Em me acreditar. Se minhas lagrimas tivessem fome, Tudo se consumiria, A luz, os ventos, a poesia, O eterno vôo do tempo, E a sua incansável utopia. Se minhas lágrimas tivessem alma,
Outra, que não a minha,
Que é frágil, pálida,
Enganosamente fria. Então talvez eu tivesse chance, De não ser assim, ínfima e sombria, Mas minhas lagrimas, são apenas, Minhas lágrimas,
Então vai...E deixa-me... Deixa-me, entristecer em paz.
Escrito por Analycorrea às 16h00
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“Quimeras...”
Eu sei sentir saudades,
E como as sei sentir,
São saudades de ti,
Saudades de mim,
São saudades até,
Do que nunca conheci.
Tenho saudades da aurora,
Do roçar dos pensamentos,
Das doces canções de ninar
E dos labores do vento.
Tenho saudades dos sonhos,
E da minha bicicleta,
Do quão livre ela me fazia,
Valsando por estas ruas,
Sob luas encobertas.
Tenho saudades de tudo,
E da tua companhia,
Saudade é o que eu sei sentir,
Eis a minha melodia...
Escrito por Analycorrea às 16h49
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