" Caminhando sob as estrelas...
Ultimamente tenho me questionado por que nos esforçamos tanto para sermos infelizes, que paradigma é este do ser humano, da condição humana, e faça-o a partir de minha própria condição, de minha própria e humilde existência e do cotidiano daqueles que eu compartilho seja diariamente ou não.
Aventuro-me em dizer que jogamos fora um tempo precioso, o tempo que temos uns com os outros, ou seja, um mês, um dia, um ano, uma conversa, então o que nos impede realmente sermos verdadeiros, com outros e também, em especial, com nós mesmos.
Sabem nada me admira mais que o ser Humano, os seus feitos, sua alma, seus dilemas, sua busca intensa por perfeição, quando em minha opinião, a imperfeição é o que nos torna próximos, irmãos, cúmplices. Entristeço-me às vezes, assistindo a TV, e observando o quanto se emprega de energia e talento para o “mau”, digamos assim, o quanto desperdiçamos de criatividade, de genialidade, de empenho, por que insistimos em nos fantasiar perfeitos, superiores, tipo: eu sou melhor que meu próximo.
Na verdade, acredito que sejamos prisioneiros de nossos medos, medo da morte, do esquecimento, da insignificância, do nosso orgulho, dos nossos preconceitos e em especial em admitir que sejamos falhos, egoístas, cruéis, ambiciosos, e que aquilo que nos torna felizes é exatamente o que o outro possui. Será que é porque nos é mais fácil exigir do que pedir, querer do que doar, ofender do que compreender.
Que espelho turvo é este que nos reflete e que nos define em nossa humana condição, por que nos esforçamos tanto par nos impor, se o que é verdadeiro em nós tem voz própria e não se cala. O que nos falta então, a começar por mim, o que me impede: será humildade, consciência, coragem, fé?
O que me impede de ser aquela pessoa que eu desejo ser, uma pessoa que eu admire, e embora eu tenha apontado nossos “defeitos”, eu creio na humana condição, creio que sejamos melhores do que sabemos ou deixamos que nos conheçam, e que, há maravilhas adormecidas em nós âmagos esperando para serem despertas, sacudidas, e por que não dizer, libertas.
E por isso pergunto-me, o que nos impede então, o que nos impede?Será o mau exemplo, mas ora, talvez ele só exista para que reconheçamos que os bons exemplos andam ocultos, encolhidos pelos cantos, apontados como se fossem fraquejas, quando na verdade deveriam viajar pelo vento e roçar as almas das pessoas como num sorriso, num agradecimento, numa gentileza, num compromisso. A beleza da vida não se faz prêmio, é doação.
O que impede então que a bandeira se eleve, a bandeira da imensa maioria das pessoas que eu conheço, a bandeira do respeito, da sensibilidade, da gratidão, da empatia, do autoconhecimento, do tão difícil perdão. A mim, confesso, falta-me muito, nasci incompleta, falta-me um pedaço de todos, e isso é exatamente o que me motiva, o que me impele, o que me felicita, para eu ser um pouco mais de mim, eu preciso de um pouco mais de outros.
Pois em verdade, somos insubstituíveis apenas no coração de quem nos ama, é o afeto que nos faz essenciais e únicos. Para demais corações somos apenas a rotina necessária, o porto por onde o tempo se derrama e se dividem as inúmeras tempestades, e onde a memória sem o menor remorso, faz questão de nos transformar em passado.
Escrito por Analycorrea às 19h36
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